A Tchuca (me sinto na obrigação de dizer que eu não tive voto na escolha do nome) é uma pastor de 3 anos que mora na casa do meu pai (atualmente meu vizinho). Quando fui levar o Ned pra castrar, aproveitei e levei a Tchuca. Foi muita insistência até o meu pai entender a importância de castrar os dois – até agora ele diz que é “sacanagem” castrar um gato macho, por mais que eu já tenha citado a responsabilidade pelos eventuais filhotes, a demarcação urina pela casa, FIV, etc, ele simplesmente não entende (o que na verdade não importa, porque o gato é meu e eu castro se eu quiser).

Convencê-lo a castrar a Tchuca foi muito mais complicado. Como a cachorra é dele, eu tive que assumir a responsabilidade de levar, trazer, pagar, cuidar da cicatrização, dar o remédio, tudo. Ele sempre deu anticoncepcional injetável pra ela. Na verdade, nunca me informei sobre castração e os perigos do anticoncepcional porque nunca tive bichos além de peixes (tive um aquário de 160L, e hoje mantenho um de 30, mas isso é assunto pra outro post). Logo que comecei a pesquisar pra adotar um gatinho foi que descobri como é essencial castrar qualquer animal (a menos que você queira e tenha como cuidar dos filhotes). Depois disso, comecei a ladainha pra castrar a Tchuca, que culminou, felizmente, em levá-la pra cirurgia no mesmo dia que o Ned, quarta-feira passada.

A cirurgia da Tchuca foi primeiro. A veterinária, Nancy (recomendo pra todo mundo, ela é ótima – se alguém for de Florianópolis e quiser o telefone, me avise) saiu da sala de cirurgia e veio direto falar comigo: “você sabia que essa cachorra estava com piometria (infecção no útero)?”. Depois de levar a Tchuca pra sala de recuperação, ela veio me mostrar o útero retirado: era uma coisa horrível, de uns 10cm de diâmetro, vazando pus (era pra ser do diâmetro de um dedo). Eu comecei a chorar e não consegui parar mais. A Nancy disse que além da dor horrível (imagine o SEU útero 7 vezes maior e cheio de pus!), era só uma questão de tempo para aquilo romper e causar uma peritonite que a mataria em cerca de 3 horas.

Segundo a veterinária, 90% dos casos de piometria (tanto de cães como de gatos) que ela atende são de animais que tomam anticoncepcional. A piometria pode ser aberta ou fechada: quando é aberta, existe corrimento; quando é fechada, não. A da Tchuca era fechada, ela não demonstrava dor (mas também, ela pesa 25kg e ninguém a pega no colo, hehe). Aqui tem mais informações sobre piometria, porque eu realmente não sou especialista nisso, só uma pessoa assustada e chocada.

A castração do Ned foi muito tranquila, ele voltou desmaiado até em casa, enquanto a Tchuca já estava alerta e tentando pular pro banco da frente. Na função de gritar “Tchuca, não!”, confesso que não dei muita atenção pro Ned, deitado como morto dentro da caixinha de transporte, de boca aberta. Quando tirei a caixa de transporte do carro, um líquido respingou em mim: ele tinha feito xixi enquanto dormia! Eu, burra e com pressa, não tinha colocado forração nenhuma na caixa. O lado direito do corpo estava todo coberto e ensopado de urina. Além das implicações higiênicas (só perfume da Avon fede mais que urina de gato), o risco de hipotermia depois da anestesia é muito grande, então ele não pode ficar molhado. Dar banho, nem pensar. Sequei o excesso de urina com papel absorvente e limpei com lencinhos umedecidos (foram uns 15 pra tirar todo o cheiro), depois aproveitei que ele ainda estava desmaiado e sequei com o secador (ele morre de medo!). Vou dar banho nele daqui a uma semana, que é quando ele está liberado.

Ele acordou cerca de 4h depois da anestesia, andando que nem bêbado, e vinha atrás de mim. Nesse momento ele já quis comer, então eu coloquei um pouco de caldo de Whiskas sachê pra ele. Três horas depois ele já estava ótimo, comendo e brincando.

Com tudo isso, aprendi algumas lições que quero dividir com vocês:

– NUNCA DÊ ANTICONCEPCIONAL pra sua cadela ou gata;

– CASTRE, castrar é um ato de amor (todo mundo diz isso, mas não custa repetir);

– Use forração para a caixa de transporte do seu gato!

PS:. Esse post está sem fotos do dia porque eu não sei cadê minha câmera, já que sou a pessoa mais organizada do mundo, só que ao contrário. Pra não ficar despido de imagens, segue uma foto do Ned.

"a veterinária cortou fora O QUÊ??!!"

“a veterinária cortou fora O QUÊ??!!”

Update 2: conjuntivite

novembro 8, 2012

Depois de 5 dias que deixarão eternas cicatrizes físicas (em mim) e emocionais (no gato) o Ned está com os olhinhos perfeitamente normais, como dá pra ver nessa foto de ontem.

Imagem

tô gato

 

Update: conjuntivite

novembro 5, 2012

No terceiro dia da pomada, o Ned continua com o olhinho inchado e vermelho, mas parece não incomodar tanto. A estratégia de usar o Whiskas Temptations depois da pomada funcionou: ele faz menos escândalo, e depois que aplico a pomada ele senta pacientemente na minha frente esperando o prêmio – em vez de sair correndo pra baixo da cama como antes.

Se ele não melhorar até sexta-feira, levo na clínica dele (levei numa outra, que não gosto tanto, porque a dele não estava aberta no dia em que ele me apareceu caolho).

sou o pirata sem perna de pau, do olho vermelho, sem cara de mau